O setor de tecnologia deve impulsionar a geração de empregos no próximo ano, de acordo com o Grupo HUB, consultoria de RH. Áreas em franca ascensão, como big data, blockchain, inteligência artificial e segurança cibernética, estão movimentando o mercado.
Somente na área de segurança cibernética, o Brasil enfrentará um déficit de aproximadamente 140 mil profissionais até 2025, de acordo com Rafael Cervone, presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
“Estimamos que, somente no mercado de segurança cibernética industrial, a lacuna seja de cerca de 60 mil profissionais”, destaca Thiago Branquinho, CTO da TI Safe, que atua há mais de 20 anos no mercado de cybersecurity.
Profissões em alta nos mercados da tecnologia e cibersegurança
Muitos dos cargos mais promissores de 2025 passam pela área da tecnologia. Essa é uma tendência fortalecida pela era digital – caracterizada pela grande quantidade de informações disponíveis e por mudanças tecnológicas que causam diversos impactos na forma como nos comunicamos, trabalhamos, compramos e convivemos.
Vamos conhecer algumas carreiras que estão moldando o futuro da tecnologia e da segurança cibernética?
Cientista de dados: Os profissionais dessa área ajudam no crescimento das empresas onde atuam, uma vez que transformam conjuntos de dados em insights estratégicos para decisões de alto impacto. De acordo com dados do Bureau of Labor Statistics dos EUA, a demanda por cientistas de dados deve crescer 28% até 2026.
Especialista em cibersegurança: Com o aumento constante na quantidade de dados digitais e a necessidade de proteger informações sensíveis, a cibersegurança é um setor com demanda crescente. Além de atuar mitigando riscos cibernéticos e garantindo a segurança de redes, sistemas, dados e dispositivos (localizados na nuvem ou em servidores locais), esses profissionais precisam entender os aspectos legais da proteção de dados, garantindo a conformidade com regulamentações como a LGPD.
Diretor de Segurança da Informação (CISO): Os profissionais que atuam nessa função são responsáveis por proteger dados sensíveis das organizações e direcionar a implementação de estratégias robustas de segurança. O aumento de ataques cibernéticos eleva a importância desse profissional. De acordo com um levantamento da Check Point Research, o Brasil registrou um aumento de 95% nos ciberataques no terceiro trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2023.
Especialista em inteligência artificial: A implementação de soluções de IA melhora a eficiência e a personalização de processos nos mais diversos setores. Um estudo da PwC estima que a inteligência artificial poderá contribuir com até $15,7 trilhões para a economia global até 2030. É uma área com grande potencial de crescimento, inúmeras aplicações e demanda contínua por profissionais com habilidades específicas.
Engenheiros e especialistas em cloud: Os profissionais dessa área concentram habilidades voltadas para o gerenciamento de ambientes híbridos (nuvem e on-premise) e são indispensáveis para aprimorar a segurança das infraestruturas digitais.
Especialista de resposta a incidentes/defesa cibernética: Parte do trabalho das equipes de segurança cibernética envolve evitar que os ataques hackers aconteçam. Porém, quando eles ocorrem, é preciso contar com profissionais que atuem para minimizar os danos e restaurar a segurança do ambiente invadido.
Arquiteto de dados e governança: O desenvolvimento e a integração de modelos e estruturas de dados (coleta, armazenamento e utilização), bem como a gestão desses ativos, é responsabilidade dos profissionais dessa área. As habilidades dos arquitetos ajudam a evitar violações ou exposição dos dados a pessoas ou sistemas não autorizados e a governança é essencial para assegurar o cumprimento da conformidade regulatória.
Desafios
A capacitação em segurança cibernética é um dos grandes desafios percebidos pelas empresas que demandam esses profissionais. Thiago Branquinho ressalta que a formação em cibersegurança é mais ampla do que oferece a área de tecnologia da informação e exige a busca de conhecimentos específicos. “É preciso entender e conhecer o que você está protegendo, incluindo a parte de infraestrutura”, salienta.
Ciente de que a maioria dos profissionais não está no estágio de maturidade ideal exigido pelos desafios da área, a TI Safe atua de forma diferenciada para que seus profissionais estejam preparados para proteger as infraestruturas críticas de seus clientes. “Não existem profissionais prontos no mercado. Por isso, nós formamos as pessoas. Temos 30 competências-chave para treinar os colaboradores ao longo de sua carreira, contemplando a parte de infraestrutura, gestão, ciência de dados, etc. Ainda, capacitamos para utilização das ferramentas adotadas para proteção das redes, dos usuários e dos equipamentos”, reforça.
Soft skills são valorizadas
Além das competências técnicas, o domínio de habilidades comportamentais e interpessoais é fundamental. Por meio delas, os profissionais estarão mais preparados para enfrentar um mercado dinâmico e competitivo. “Faz muito mais sentido selecionarmos um colaborador pelas soft skills, como trabalho em equipe, comunicação, capacidade de resolver problemas, entre outras habilidades, do que pelas hard skills”, enfatiza Branquinho.
As habilidades sociais e emocionais são altamente valorizadas e estão sendo mais requisitadas do que nunca. Por meio delas, um profissional alcança mais longevidade em sua carreira. “Soft skills são raras no mercado”, pontua Thiago.
De acordo com o relatório Global Talent Trends, do LinkedIn, 89% dos recrutadores afirmam que, quando uma contratação não dá certo, geralmente é pela falta de habilidades sociais.