As ameaças cibernéticas estão se tornando cada dia mais sofisticadas, aproveitando a evolução da tecnologia para promover ataques mais complexos e explorar as vulnerabilidades dos sistemas. Para proteger informações, dados e infraestruturas críticas, as organizações estão recorrendo a abordagens multifacetadas, objetivando impedir possíveis violações.
É nesse cenário que se moldam as tendências de segurança cibernética, destacando soluções para desafios emergentes e estratégias inovadoras para mitigar ou reduzir os impactos de ciberataques.
E os prejuízos são grandes. De acordo com dados da Sophos, empresa britânica fornecedora de hardwares e softwares de segurança, 83% das companhias brasileiras que sofrem ataques hackers por ransomware pagaram resgate. O valor médio do desembolso é de R$ 6,2 milhões.
O futuro da cibersegurança
À medida que a digitalização está cada vez mais presente no dia a dia de pessoas e organizações, também aumentam os desafios relacionados à segurança de sistemas e informações. Diante disso, as tendências de segurança cibernética trazem oportunidades para garantir mais proteção para ambientes digitais e infraestruturas críticas.
Vamos conferir algumas das principais tendências que estão moldando o futuro da cibersegurança.
- Inteligência artificial e aprendizado de máquina
A inteligência artificial (IA) e o aprendizado de máquina (AM) são tecnologias que, há algum tempo, estão mudando a forma como empresas e pessoas fazem as coisas. Ao mesmo tempo, essas mesmas tecnologias têm ajudado cibercriminosos a aperfeiçoar seus ataques, exigindo soluções mais robustas e complexas para interceptar as ameaças. Um estudo recente da consultoria Gartner apontou que ataques hackers com uso de IA são o maior risco emergente para organizações.
Estatísticas da IBM mostram que o custo médio global de uma violação de dados pode chegar a US$ 4,88 milhões em 2024. Também apontam que a economia média de custos de empresas que utilizam IA para segurança e automação voltadas à prevenção pode chegar a US$ 2,22 milhões.
A IA e o AM são recursos poderosos para a detecção proativa de ameaças, pois conseguem analisar grandes volumes de dados e identificar anomalias ou eventuais tentativas de ataques cibernéticos. De acordo com a consultoria Gartner, 75% das empresas já terão incorporado alguma ferramenta de IA, em 2024, para detectar ciberameaças.
Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, reforça que as soluções de cibersegurança com IA têm sido eficazes contra ataques avançados, tornando sistemas e infraestruturas críticas mais resilientes e prontos para enfrentar ameaças em constante evolução. “A TI Safe incorpora IA em suas operações, especialmente no ICS-SOC, para monitoramento inteligente e resposta automatizada a incidentes. Além disso, a tecnologia permite um aprendizado contínuo, adaptando-se rapidamente a novas ameaças”, ressalta.
- Zero Trust
Embora não seja um conceito novo, a realidade das organizações – com cada vez mais acessos remotos e serviços em nuvem – exige o Zero Trust como resposta de proteção a esse cenário. O Zero Trust traz a premissa de que todo acesso, interno ou externo, é suspeito e deve ser verificado.
São vários os recursos que garantem uma implementação de Zero Trust eficaz, entre eles a autenticação multifator contínua, a microssegmentação de rede, os privilégios de acesso reduzidos ao mínimo necessário e o monitoramento e análise constante das atividades na rede.
Dados da Gartner apontam que 70% das novas implementações de acesso remoto serão feitas via Zero Trust Network Access (ZTNA) até 2025, substituindo as tradicionais VPNs.
- Segurança convergente
Outra tendência de segurança cibernética é a convergência entre a TI (tecnologia da informação) e a TO (tecnologia operacional). Na era da indústria 4.0 e da Internet das Coisas (IoT), essa fusão está criando ambientes complexos, repleto de desafios e oportunidades, especialmente para organizações com infraestruturas críticas.
Essa realidade exige uma abordagem igualmente sofisticada e robusta para prevenir falhas de cibersegurança. Entre elas, é possível citar regulamentações, políticas e práticas específicas – considerando os riscos em cada ambiente -, adoção de frameworks para estruturas convergentes e utilização ampliada de tecnologias para microssegmentação de rede, monitoramento comportamental e resposta rápida a incidentes.
“Não podemos esquecer da importância da capacitação contínua das equipes, para que estejam atualizados tecnicamente e possam responder com assertividade aos riscos dos ambientes convergentes. Outro ponto fundamental é a gestão de vulnerabilidades, com avaliação e correção regulares das fragilidades dos sistemas”, enfatizou Branquinho.
- Computação quântica
Conforme a computação quântica evolui, as estratégias de segurança cibernética tradicionais tornam-se menos eficientes, já que as técnicas de criptografia clássicas, que protegem as informações sensíveis nos dias atuais, são vulneráveis a ataques quânticos.
De modo geral, com um poder de processamento incrível, a computação quântica poderá, em breve, quebrar criptografias tradicionais em segundos. Esse é o motivo que a torna também uma tendência de segurança cibernética, cujas aplicações futuras devem contribuir para o desenvolvimento de barreiras mais eficientes contra ciberataques.
Previsões da Gartner estimam que os gastos globais com cibersegurança devem ultrapassar US$ 210 bilhões em 2025, um aumento de mais de 15% em relação a 2024. Além de ser uma tendência, o aumento dos investimentos em segurança cibernética demonstra a conscientização e o olhar estratégico das organizações para esse tema crítico, em um mundo cada vez mais digitalizado.