Eventos de grande escala podem aumentar vulnerabilidades e propiciar ataques de cibercriminosos. Confira as medidas de proteção que devem ser reforçadas nesta época do ano.
A 14ª edição da Black Friday no Brasil está chegando e, segundo as estimativas do mercado, a data promete movimentar R$ 9,3 bilhões no país. O evento é considerado um dos mais aguardados pelo varejo e pelos consumidores que buscam por descontos mais expressivos. No entanto, há também outro grupo à espreita da data, com a expectativa de aplicar grandes investidas – os cibercriminosos.
Ameaças à segurança digital na Black Friday
Com o aumento exponencial do tráfego nos e-commerces e o compartilhamento indiscriminado de ações promocionais, as possibilidades de ataques de hackers, por meio de códigos e links maliciosos, se tornam ainda maiores. Por isso, além de reforçar as estruturas e operações logísticas para suportar o fluxo, é importante que organizações revisem suas estratégias de cibersegurança.
Vulnerabilidades de sistemas industriais e infraestruturas críticas
Durante a Black Friday, os riscos à cibersegurança não ficam restritos somente às redes corporativas (TI), com ataques que podem “derrubar as comunicações” ou provocar erros no checkout e até mesmo gerar falsas transações. Mais do que isso, as invasões podem extrapolar para as redes operativas (TO), alcançando sistemas fabris e infraestruturas críticas.
Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe, destaca que os invasores podem realizar campanhas de phishing e ransomware para explorar vulnerabilidades de softwares que afetam os sistemas: “O aumento do tráfego e da demanda por serviços digitais em geral pode atrair a atenção de atacantes que procuram explorar vulnerabilidades em sistemas que operam em alta capacidade, incluindo os de infraestruturas críticas. Além disso, muitos esforços de segurança e respostas de equipes técnicas podem estar mais focados no setor de comércio, desviando recursos que poderiam ser usados para monitorar ambientes industriais”.
Planejamento de cibersegurança: TI x TO
Considerando a relevância da Black Friday no Brasil, o reforço das medidas de segurança no ambiente digital faz parte do planejamento da maioria das organizações. Contudo, é válido ressaltarque os processos e barreiras de cibersegurança podem se diferenciar de acordo com a área de atuação do negócio. “Empresas voltadas ao consumidor têm como foco principal a proteção de dados sensíveis dos clientes, como informações financeiras e pessoais. Assim, as medidas de cibersegurança se concentram em evitar fraudes, invasões de lojas online e manter a disponibilidade dos sistemas para garantir que as transações ocorram sem interrupções”, explica Branquinho.
O especialista destaca que, além da preocupação com as redes corporativas e sistemas que fazem interface com o consumidor final, há também a preocupação por parte das indústrias, que visam se proteger contra ameaças que possam causar impactos estruturais, como o comprometimento de sistemas SCADA ou TO. “Neste caso, o planejamento de segurança envolve segmentação de redes, proteção de sistemas operacionais e monitoramento contínuo por ICS-SOCs (centros de operações de segurança voltados à automação industrial) e, ainda, a conformidade com as normas IEC 62443 e NIST SP 800-82, fundamentais para o resguardo da companhia”.
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Principais medidas preventivas para a proteção de sistemas operacionais
Com os riscos iminentes de ataques cibernéticos durante eventos em grande escala, é essencial que as organizações façam a “lição de casa” e realizem as devidas medidas preditivas a fim de mitigar os riscos. Entre as práticas que devem ser reforçadas pela área estão:
- Monitoramento contínuo: ICS-SOCs para vigilância 24×7, uso de sistemas de detecção de intrusos industriais (IDS) e análise de comportamento.
- Segmentação de redes: Separar redes de TI e TO com firewalls de próxima geração e conduítes seguros para minimizar a superfície de ataque.
- Gestão de vulnerabilidades: Garantir que todas as vulnerabilidades conhecidas sejam corrigidas antes do evento, realizando patches regulares.
- Controle de acessos: Implementação de políticas de acesso restritas, como controle por cofre de senhas e autenticação multifator – camada adicional de segurança que exige que o usuário combine dois ou mais fatores de autenticação.
- Planos de resposta a incidentes: Estabelecer e revisar planos de resposta a incidentes cibernéticos para garantir que a equipe saiba como agir rapidamente.
Desafios e tendências de cibersegurança em TO
Segundo a classificação do índice global União Internacional de Telecomunicações (UTI), o Brasil ocupa a segunda posição entre os países das Américas mais comprometidos com as políticas de cibersegurança, atrás apenas dos Estados Unidos. No entanto, Branquinho ressalta que ainda há um longo caminho para que o país atinja os melhores níveis de maturidade na área.
“A maioria das organizações de infraestruturas críticas enfrenta desafios para lidar adequadamente com os riscos cibernéticos durante eventos de grande escala. Embora muitas empresas já adotem práticas de segurança baseadas em normas como a IEC 62443 e NIST SP 800-82, ainda há deficiências, especialmente em termos de profissionais capacitados e respostas rápidas a incidentes complexos. Organizações que operam com ICS-SOCs dedicados estão mais bem preparadas, mas ainda dependem de melhoria contínua e automação de monitoramento”, pontua o CEO.
De acordo o relatório Trend Micro Security Predictions 2024, com o crescimento da digitalização de segmentos econômicos e políticos, a tendência é que cada vez mais empresas adotem aplicações baseadas em inteligência artificial, aprendizado de máquina (IA/ML), armazenamentos em nuvem e as tecnologias Web3. As inovações impulsionam o desenvolvimento das empresas, mas, ao mesmo tempo, abrem novas oportunidades para a atuação de cibercriminosos. Dessa forma, um dos maiores desafios para organizações, na área de cybersecurity, é manter o equilíbrio entre a modernização das operações e a implementação de barreiras robustas de defesa, somadas a ações preditivas.