Confira os aprendizados que ficaram para o setor após uma das maiores falhas operacionais no segmento de cibersegurança
O apagão cibernético, ocorrido em 19 de julho devido a uma falha de atualização na ferramenta da CrowdStrike – empresa de segurança digital que atende a Microsoft, marcou o mercado de cybersecurity. Na ocasião, cerca de 8,5 milhões de computadores com o sistema Windows foram afetados, interrompendo o funcionamento de companhias aéreas, bancos e serviços de saúde.
Para discutir as necessidades de mudanças no sistema e implantar medidas de proteção mais robustas, a Microsoft realizou, em setembro, uma cúpula de segurança digital. A reunião, que aconteceu em Washington, contou com a presença de C-levels da Microsoft, como Aidan Marcus, vice-presidente corporativo, e John Cable, vice-presidente de Operações – que abordou as lições aprendidas com o incidente e destacou a necessidade de maior resiliência nos sistemas -, além da participação de representantes governamentais.
Principais soluções abordadas
Diversas alterações no sistema operacional do Windows foram anunciadas durante a cúpula, com o objetivo de evitar novas falhas de segurança. Entre as principais medidas pontuadas está a limitação de acesso dos computadores ao kernel – núcleo do sistema operacional que faz a ponte entre o software e o hardware, controlando processos, memória, dispositivos e chamadas do sistema.
Segundo a empresa, tanto clientes quanto parceiros solicitaram a implementação de medidas de cibersegurança adicionais, fora do modo Kernel.
A ferramenta CrowdStrike Falcon – responsável pelo monitoramento e resposta a ameaças em dispositivos conectados a uma rede – é executada exatamente no nível do kernel do Windows e, de acordo com os especialistas, isso possibilitou que a falha no código da plataforma impedisse a inicialização dos computadores.
Impactos causados pelo incidente
Ocorrências como essa, que interferem diretamente no funcionamento de estruturas críticas, evidenciam a vulnerabilidade dos sistemas. Além de todos os riscos e transtornos provocados, erros ou interrupções nas redes operativas podem gerar grandes impactos financeiros.
A companhia aérea Delta Air Lines, por exemplo, precisou cancelar quase 7.000 voos devido à interrupção de seu sistema de agendamento de tripulações, contabilizando um prejuízo de mais de US$ 500 milhões referente a voos cancelados e custos com acomodação de passageiros e compensações.
A falha ocorrida com a CrowdStrike trouxe à tona ao mercado de cibersegurança a importância de realizar múltiplas camadas de testes em atualizações de softwares, especialmente em sistemas críticos, destacando também a necessidade de fortalecer a resiliência dos sistemas e aprimorar o gerenciamento de riscos.
Como mitigar os riscos e prejuízos causados por incidentes
Mesmo com a implementação de barreiras de segurança, não é possível classificar os sistemas digitais como estruturas totalmente seguras, considerando a crescente diversidade e complexidade das ameaças que surgem a todo tempo.
No entanto, há práticas que podem diminuir significativamente os riscos e os possíveis prejuízos ocasionados. Dessa forma, algumas precauções recomendadas pelos especialistas são:
- Gestão de mudanças: Atualizações e execuções de patches devem seguir processos sólidos, equilibrando velocidade de aplicação com testes e distribuição escalonada, a fim de garantir a integridade do sistema.
- Estratégias de retomada: As organizações devem ter planos de rollback bem definidos e devidamente testados, evitando a exposição a riscos ainda maiores.
- Monitoramento contínuo: Implementar políticas mais rigorosas para o gerenciamento de fornecedores e realizar o monitoramento constante de cada etapa, incluindo o acompanhamento e revisões de sistemas internos, também são requisitos básicos para a segurança e a sustentabilidade das operações.
“É fundamental que infraestruturas críticas adotem práticas robustas de cibersegurança, garantindo não apenas a proteção contra ataques, mas também a continuidade dos serviços essenciais”, ressalta Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe.
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