Nas últimas semanas, a VPN (Virtual Private Network) ganhou ainda mais notoriedade no Brasil devido à determinação do ministro do STF, Alexandre de Moraes, para a aplicação de multa de até R$ 50 mil a quem acessasse a suspensa plataforma X – antigo Twitter – pela rede privada.
Isso porque, um dos serviços oferecidos pela VPN é o “spoofing de localização”, que permite mudar para o servidor de outro país e alterar a região de acesso, liberando a navegação por sites proibidos no Brasil, mas autorizados em outras nações. No entanto, os recursos da rede privada virtual vão além desse e de muitos outros utilizados pela área de TI, contemplando também otimizações em complexas operações de OT.
Os benefícios da VPN para a automação industrial
Na indústria, a VPN também desempenha papéis fundamentais na automação de sistemas e segurança de dados. A rede permite a configuração remota e telemetria em dispositivos, ou seja, mesmo em lugares isolados e de difícil acesso, é possível realizar alterações e configurações nas aplicações com a segurança necessária.
VPN em PLC e outros dispositivos programáveis
O PLC (Programmable Logic Controller) é um dos dispositivos de controle digital mais utilizados na indústria, responsável por gerir e fiscalizar equipamentos e processos. A configuração de VPN em controladores desse tipo é uma medida fundamental para garantir a segurança e privacidade dos dados transmitidos na rede. O primeiro passo para fazer essa estruturação é escolher o protocolo de segurança adequado, como OpenVPN ou L2TP/IPsec, e instalar um software de VPN no dispositivo.
As redes privadas virtuais por PLC são uma solução eficiente para assegurar a privacidade das comunicações em ambientes empresariais e domésticos. Utilizando a rede elétrica para transmitir dados, o PLC permite criar VPNs que protegem as informações contra acessos indevidos, contribuindo também com a integridade e eficiência de automações.
Proteção de dados
Um dos principais atributos da VPN é a segurança dos dados por meio de criptografia, codificação que dificulta o acesso de terceiros às informações trafegadas. Assim, é possível garantir que dados sensíveis, como especificações de produtos e informações financeiras e/ou de produção, estejam a salvo de espionagens ou ciberataques.
É importante destacar também que a rede privada virtual corrobora com as políticas de conformidade e regulamentações exigidas no segmento, considerando que muitas indústrias lidam com dados confidenciais ou sensíveis — a exemplo do setor farmacêutico, aeroespacial ou de tecnologia.
Conheça os principais tipos de VPN e seus diferentes modelos de conexão:
- VPN site a site: Conhecida também comoVPN roteador a roteador, esse modelo é baseado em uma “ponte virtual” que une redes em diversos locais e os conecta com a internet, mantendo uma comunicação segura e privada. Um protocolo mais utilizado em operações corporativas.
- VPN L2TP: Layer 2 Tunneling Protocol, essa VPN estabelece uma conexão mais segura a partir de combinação com outro protocolo de segurança, formando um túnel entre dois pontos de conexão L2TP e outra VPN.
- VPN PPTP: Sigla em inglês para Point-to-Point Tunneling Protocol, esta VPN é compatível com os sistemas Windows, Mac e Linux. A configuração da rede cria um túnel e captura os dados, sendo a mais utilizada normalmente. Ela é útil tanto para usuários empresariais quanto usuários domésticos.
- IPsec: A Internet Protocol Security (IPsec) protege a comunicação por meio de uma rede IP, ou seja, um túnel configurado em um site remoto permite o acesso ao site central e protege os dados de internet, verificando cada sessão e criptografando individualmente os pacotes de dados em toda a conexão.
- VPN MPLS: Sigla em inglês para Label Switching, são mais utilizadas para conexões Site a Site. O recurso é baseado em padrões adotados para acelerar a distribuição de pacotes de rede por vários protocolos.
- VPN Híbrida: Esta categoria combina os modelos MPLS e IPS ou VPNs baseadas em IPsec, sendo utilizadas por empresas onde usar MPLS não é a opção recomendada.
- SSL e TLS: As redes VPN baseadas em SSL (Secure Sockets Layer) e TLS (Transport Layer Security) foram desenvolvidas para proteger a comunicação entre clientes e servidores. A atuação funciona a partir da criptografia dos dados trocados entre duas partes – um navegador e um servidor, por exemplo -, evitando que terceiros interceptem ou modifiquem essas informações.
O uso de redes privadas virtuais tem sido cada vez mais adotado em operações de infraestruturas críticas, principalmente à medida que o conceito de Indústria 4.0 cresce, com a digitalização de processos e maior interconectividade de dispositivos.
Atentando para as vulnerabilidades da área, com equipamentos e sistemas de controle conectados à internet (como em sistemas de automação e Internet das Coisas – IoT), a utilização de VPN é crucial para minimizar os riscos de interferências maliciosas.