O setor de energia ocupa a terceira posição, entre os mais visados por hackers mal-intencionados, segundo o relatório X Force da IBM de 2023. De acordo com o levantamento, os ataques cibernéticos no segmento representaram cerca de 10% dos registros de cibercrimes em 2022.
Principais riscos de segurança cibernética no setor de energia
Com o avanço da inteligência artificial e a utilização da tecnologia para configuração de ataques cibernéticos cada vez mais complexos, as barreiras e os mecanismos responsáveis por garantir a cibersegurança em infraestruturas críticas exigem mais atenção e atualizações constantes.
Entre as principais ameaças enfrentadas pelo setor de energia estão ataques de ransomwares, phishing, sequestros de dados, captura de senhas e outras fraudes que podem ocasionar a interrupção dos serviços e gerar grandes prejuízos – principalmente por se tratar de uma cadeia de suprimentos.
Ataques cibernéticos a empresas do setor de energia
Em um ranking global, o Brasil é o segundo país do mundo com mais registros de cibercrimes, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, com 1.168.456 de ataques, de acordo com dados divulgados em maio deste ano, pelo Relatório de Inteligência de Ameaças da NetScout.
As companhias de energia estão entre os alvos mais atrativos para cibercriminosos devido à proporção dos impactos para sociedade e, consequentemente, aos altos valores exigidos para o resgate de dados e controles dos sistemas. Confira alguns dos ciberataques com maior relevância no setor de energia, ocorridos no Brasil:
- Enel
Um ataque cibernético afetou o sistema de gerenciamento de energia elétrica da Enel em Goiás, no ano de 2018. A invasão foi direcionada aos sistemas que controlam a distribuição de energia, causando interrupções no fornecimento para milhares de consumidores em várias regiões do estado.
- Itaipu Binacional
Em 2017, a usina de Itaipu – uma das maiores hidrelétricas do mundo, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai -, foi alvo de uma tentativa de ataque de hackers, que pretendiam invadir os sistemas de controle, mas foram impedidos por múltiplas medidas de segurança.
- Light S.A
Um ransomware foi implantado nos sistemas da Light S.A. com o objetivo de criptografar arquivos críticos da empresa. Na época, os cibercriminosos cobraram um resgate milionário para o restabelecimento da operação. A Light optou por não pagar o valor exigido, mas o ataque causou interrupções significativas e demandou um esforço intensivo para restaurar a normalidade dos sistemas.
- Copel e Eletrobras
Em 2020, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a Eletrobras, uma das maiores empresas de energia elétrica da América Latina, foram alvos de um ataque cibernético massivo. Hackers utilizaram um ransomware para criptografar arquivos e exigiram o resgate em criptomoedas. As empresas precisaram interromper operações para conter o ataque e evitar danos maiores.
Case Copel
O incidente, ocorrido em 2020, foi um dos maiores propulsores para a implantação de um plano robusto de cibersegurança na Tecnologia da Operação (TO) da Copel.
Utilizando a ASCI (Assinatura de Segurança Cibernética Industrial), sistema desenvolvido pela TI Safe, a empresa incorporou soluções de cybersecurity necessárias às plantas em um modelo de prestação de serviços (OPEX). O projeto foi implantado em abril de 2023.
Victor Müller, gerente de cibersegurança de TO da Copel, abordou durante sua palestra na 5ª edição da CLASS 2024, a trajetória de amadurecimento da empresa: “Em 2021, após sofrermos um ataque em nossa rede corporativa de TI, um alerta acendeu nas lideranças da companhia. Embora a invasão não tenha causado danos significativos, foram feitas análises e identificamos que as ameaças cibernéticas estavam entre os maiores riscos para o nosso negócio”.
Clique aqui e saiba mais sobre o Case de cibersegurança de TO da Copel apresentado na CLASS 2024.
Investimentos em cibersegurança no setor de energia
O salto da tecnologia e da digitalização, no auge da pandemia de COVID-19, também propiciou o aumento de ataques de hackers a sistemas industriais, em especial, no setor de energia. Para mitigar os riscos na operação, diante do crescimento de ameaças cibernéticas, 23% das empresas de energia indicaram a pretensão de aumentar em 10% os investimentos em segurança digital (24ª CEO Survey, PwC).
A resolução normativa 964, publicada em dezembro de 2021, na qual a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) define o conteúdo mínimo das políticas de segurança cibernética a serem adotados pelos agentes do setor de energia elétrica, também colaborou para a maturidade da área de cibersegurança no segmento.
“A conformidade de segurança em setores de infraestrutura do país, como o de energia, são ‘pré-requisitos’ de resiliência para que o Brasil integre a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)”, observa Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe.