As atividades ligadas ao agronegócio foram as que mais cresceram no Brasil em 2023. A informação é do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O setor teve alta recorde, crescendo 15,1% em comparação com os resultados de 2022.
A constante digitalização das operações de um dos setores mais estratégicos para a economia de nosso país faz aumentar, também, a visibilidade e a vulnerabilidade digital quando o assunto é ataques cibernéticos.
É o que mostra o relatório da Apura Cyber Intelligence S/A. O Brasil liderou o ranking de ataques de ransomware no setor do agronegócio na América Latina em 2023, respondendo a 10% desses incidentes.
Sentindo o impacto da vulnerabilidade na segurança cibernética, o segmento não deve ficar parado. De acordo com um estudo da IDC, o investimento do agronegócio para proteger suas operações e mitigar os riscos às ciberameaças deverá crescer cerca de 12% em 2024.
Impactos dos ataques de ransomware
Um ransomware é um dos muitos tipos de softwares maliciosos existentes. Nessa modalidade, hackers invadem equipamentos e sistemas e sequestram dados importantes, impedindo, por meio de criptografia, o acesso às informações. Para devolvê-las, os criminosos exigem um resgate em dinheiro. Porém, não há garantias de que os dados roubados sejam recuperados, mesmo após o pagamento.
De acordo com um estudo da Sophos (empresa britânica de softwares e hardwares de segurança), realizado com 75 empresas que sofreram ataques de ransomware no Brasil em 2023, o valor médio pago para reaver as informações sequestradas foi de US$ 1,22 milhão.
Das companhias pesquisadas, 83% pagou o valor exigido pelos cibercriminosos. A somatória dos valores pagos no último ano, cerca de R$ 6,8 milhões de reais, demonstra apenas o impacto financeiro direto. Porém, é preciso contabilizar também possíveis despesas adicionais com interrupções nas operações, danos à reputação, à imagem, entre outros.
A empresa irlandesa Dole Food, uma das maiores produtoras de frutas e vegetais do mundo, foi vítima de um ataque de ransomware em fevereiro de 2023, nos Estados Unidos. Além do valor de resgate exigido, a invasão afetou a distribuição de produtos no país, causando um prejuízo estimado em US$ 10 milhões.
Investimento em segurança cibernética e conscientização das equipes
O agronegócio vem evoluindo constantemente sua postura em relação à aplicação de tecnologias no campo. Uma pesquisa da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), intitulada Agricultura Digital no Brasil, mostrou que 84% dos entrevistados utilizam ferramentas tecnológicas para apoiar a produção agrícola.
Entre as atividades que contam com recursos tecnológicos estão: gestão dos negócios, mapeamento de lavouras e produção, previsão de riscos relacionados ao clima, entre outras.
Assim como o setor tem progredido no sentido de aprimorar as técnicas de planejamento e operação, também é importante a conscientização no que tange a investimentos na segurança do ambiente digital, que tanto contribui para a expansão do agronegócio.
Implantando soluções e serviços especializados que garantam a segurança das redes de TI e TO, de endpoint (dispositivos de usuários finais), de aplicativos e sistemas, o segmento pode assegurar um crescimento sustentável e seguro.
Outra iniciativa essencial para o agronegócio é o treinamento das equipes para que entendam os riscos e saibam quais ações podem colocar em perigo dados e operações.
Investir em segurança cibernética no agronegócio vai muito além de proteger a área contra ameaças digitais. Envolve seguranças de dados, disponibilidade das infraestruturas de informação e operação, redução de custos com possíveis perdas causadas por ciberataques e aumento da confiabilidade diante de parceiros e clientes.