Alguns tipos de serviços são considerados essenciais atualmente. Energia elétrica, água, comunicações, transporte, saúde, segurança pública, entre outros, fazem parte da rotina da maioria das pessoas e empresas. São as chamadas infraestruturas críticas.
Ataques cibernéticos podem causar problemas nas operações, afetando uma parcela considerável da população e prejudicando as atividades de muitos setores empresariais e industriais.
Uma invasão bem-sucedida pode gerar consequências catastróficas. De acordo com um estudo da Palo Alto Networks, o Brasil sofreu 61 ataques cibernéticos em infraestruturas críticas em 2023.
Além da prevenção, ter processos e procedimentos de segurança cibernética eficientes, proativos e equipes preparadas para responder aos incidentes nas redes operativas é fundamental.
Cases de ataques cibernéticos a infraestruturas críticas
Um ataque hacker a estruturas de transmissão de energia pode, por exemplo, causar um blecaute em larga escala. Como aconteceu na Ucrânia, em 2015. Os invasores atacaram 3 centros de distribuição da cidade de Ivano-Frankivsk, utilizando um malware chamado Black Energy. Cerca de 225 mil pessoas ficaram sem energia por cerca de 6 horas. O ataque impossibilitou a restauração remota do sistema, o que exigiu a presença física de técnicos nas subestações para religar a energia.
No Brasil, a Eletrobrás também foi alvo de criminosos em 2021, na Eletronuclear, subsidiária responsável pelas usinas nucleares do complexo de usinas de Angra dos Reis. O ataque, do tipo ransomware, afetou apenas os sistemas administrativos, não causando danos aos sistemas operacionais.
“O ataque por ransomware é o mais utilizado para afetar sistemas de energia”, ressaltou Marcelo Branquinho, CEO da TI Safe. Esse software malicioso criptografa e bloqueia dados de computadores e servidores. Ele é capaz, ainda, de identificar outros equipamentos que estão na mesma rede e contaminar todos em poucos segundos. “A taxa de contaminação de um ransomware é de 125 máquinas por segundo”, destacou o CEO.
Em fevereiro de 2021, uma estação de tratamento de água do estado da Flórida, nos Estados Unidos, foi vítima de uma tentativa de ataque. Um hacker tentou alterar a quantidade de hidróxido de sódio na água, aumentando a dosagem. Recentemente, em 2024, sistemas de água do Texas e de Indiana também foram alvos de cibercriminosos. Após os incidentes, o conselho de segurança do governo americano alertou as autoridades estatais para reforçar suas defesas contra as ameaças cibernéticas.
O governo brasileiro também já passou por ciberataques. Em dezembro de 2021, o site e sistemas do Ministério da Saúde foram atacados por hackers, que copiaram e apagaram 50 terabytes de dados. Aplicativos, como o de emissão de certificados de vacinação, foram afetados. O governo, por meio de backups, levou mais de 10 dias para restabelecer por completo os sistemas e cerca de 30 dias para finalizar a integração entre eles.
Esses são apenas alguns exemplos, mas a quantidade de ataques a infraestruturas operacionais em todo o mundo é preocupante. O relatório de Riscos Globais de 2023, desenvolvido pelo Fórum Econômico Mundial, estima que as ameaças cibernéticas em infraestruturas críticas cresçam na mesma escala que a atual crise de energia, custo de vida e abastecimento de alimentos.
A TI Safe mantém um portal aberto e com informações confiáveis sobre incidentes no segmento industrial, contribuindo com o setor e com equipes de defesa de todo o mundo: é o Incident Hub. “O Incidente Hub é a maior base de conhecimento de ataques que existe de forma consolidada no mundo. E é público, dando acesso às informações sobre os eventos a diversas organizações de cibersegurança e de defesa ao redor do planeta”, enfatizou Marcelo.
O portal, que está em constante atualização, centraliza informações sobre ataques cibernéticos industriais que se tornaram públicos, divulgados pelas principais fontes do mundo, em um só lugar.
Proatividade na resposta a incidentes cibernéticos
Mais do que prevenir, as companhias precisam estar um passo à frente dos cibercriminosos para impedir a efetividade de um eventual ataque. É necessário, além de contar com soluções de cibersegurança preventivas e corretivas, avaliar constantemente os riscos, ter políticas robustas de segurança cibernética, plano de continuidade de negócio e treinar as equipes, atualizando-as com conhecimento teórico e prático.
O cenário da segurança cibernética é muito dinâmico. O mapeamento e a análise de vulnerabilidades deve ser uma ação constante nas organizações, pois movimentos rotineiros, como a entrada de um novo colaborador, a atualização de um sistema ou software, a instalação de novo equipamento ou novas redes, etc. podem representar uma porta de acesso para os cibercriminosos.
O Shodan, um buscador que rastreia e exibe detalhes de computadores e quaisquer equipamentos (de pessoas físicas e empresas) que estejam conectados à internet, expõe um pouco dessa vulnerabilidade. Entre os resultados de busca exibidos, é possível encontrar desde simples webcams até sistemas de controles de usinas. Uma vez que estejam conectados à rede, a plataforma consegue mostrar.
Inteligência artificial na segurança cibernética de infraestruturas críticas
Com tantas oportunidades para os criminosos cibernéticos, por onde começar a proteger as infraestruturas críticas de redes operativas? A inteligência artificial tem sido amplamente utilizada pelos profissionais de cibersegurança para criar ferramentas e automatizar recursos de defesa, aumentando a visibilidade e a agilidade de sistemas que identificam e respondem a ameaças. Ao mesmo tempo, a IA é uma das grandes ameaças atuais. De acordo com o relatório de Riscos Globais de 2024 do Fórum Econômico Mundial, a inteligência artificial está modificando as perspectivas de risco das organizações, aumentando e tornando cada vez mais complexas as ciberameaças e os agentes maliciosos.
Implementar camadas múltiplas de proteção também faz parte do rol de medidas básicas de proteção, reduzindo a superfície de um ataque. Backups e capacitação das equipes para atuar em situações que demandem recuperação de redes operativas, sistemas e equipamentos também são iniciativas essenciais.
“Em termos de cibersegurança, não há uma solução única. É preciso uma série de medidas e ferramentas que irão contribuir com o aumento do nível de maturidade da segurança cibernética das organizações”, comentou Branquinho.